quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Banksy fala sobre Mr. Brainwash e seu filme

Finalmente terminei a facul e agora sobra um pouco mais de tempo pra postar porraqui.

Traduzi essa entrevista do Banksy falando sobre Thierry (Mr. Brainwash) seu filme e otras cossitas. A entrevista em sí não é muito boa, mas ta aí pra esclarecer algumas coisas, a entrevista foi feita pelo site americano All these wonderful things e eu mantive em primeira pessoa (não, eu não fui para L.A.)
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No mês passado, nós tivemos a oportunidade de passar algum tempo com o time por trás de EXIT o produtor Jaimie D'Cruz e o editor Chris King, hospedamos os dois aqui em Los Angeles no Cinefamily no começo do mês. Junto com eles, eu presenciei varias pessoas tentando descobrir o que Banksy pensa disso ou daquilo.
Eu tinha minhas próprias questões e Banksy e sua equipe foram gentis o suficiente para me responder (via email, claro...)

ATWT: Uma coisa que eu escutei repetidamente da sua equipe foi que no começo só você acreditava que Thierry poderia e deveria ser o foco narrativo do filme - muito antes da exposição em LA que conclui o filme. O que levou você à Thierry como um personagem do filme, e apesar do fato de ele ter um monte de material arquivado sobre arte de rua, porque você achou que ele poderia ser a narrativa do filme?

Banksy: Não era difícil de ver o potencial de entretenimento de Thierry, ele de fato bate a cara em portas e cai de escadas. Era como dar um rolê com Groucho Marx mas com uma barba mais engraçada. Thierry apareceu em um ponto onde meu mundo estava se tornando infestado de hipsters e ironia pesada, então sua exuberância inocência de homem-criança era engraçada no rolê. Talvez eu me convenci que Thierry era um tema interessante só porque eu gostei dele. Eu estaria mentindo se eu te dissesse que quando eu o conheci eu pensei " A vida desse cara vai dar um bom filme".
No começo há problemas com qualquer filme sobre graffiti porque todos bons artistas recusam mostrar o rosto na camera. Eu precisava que o filme fosse baseado em uma pessoa que a plateia gostasse. O produtor Robert Evans disse que "vulnerabilidade" é a qualidade mais importante em uma estrela de filme e isso é algo difícil de retratar se todos seus entrevistados possuem máscaras no rosto.

ATWT: Fica claro no filme que você confia em um time de pessoas para criar suas obras de arte. O que foi diferente no processo de filmagem e o trabalho que você fez com aquela equipe - Jaimie, Chris e outros? E como você soube quando encontrou os colaboradores certos?

Banksy: Eu faço minhas próprias pinturas, mas eu tenho bastante ajuda para construir e instalar coisas. Eu tenho um grande pequeno time, mas vou te falar, todos eles odiaram essa porra desse filme. Eles não ligam se produz efeito, eles sentem que Mr. Brainwash não merece toda essa atenção. A maioria dos artistas de rua também sentem isso. O filme me fez extremamente despopular na minha comunidade.

ATWT: Quando eu vi o filme, ele não me pareceu nada mais que um documentário verdadeiro. Talvez porque eu moro em LA e vi uns trampos do Brainwash por aqui e me lembro da sua grande exposição, mas também porque é claro que a cena no filme em que Thierry conhece Shepard Fairey (OBEY) é de pelo menos nove anos atrás (agora há um grande cinema no outro lado da rua na cena em questão). Ainda, particularmente quando o filme estava estreando, parecia haver essa tendência de suspeitas, talvez porque a imprensa queria te colocar como alguem que estava fazendo uma pegadinha, que o filme estava tentando nos pregar uma peça. Quanto dessas conversas você tem prestado atenção e o que você pensa sobre isso?

Banksy: Obviamente a história é bizarra, é por isso que eu fiz um filme sobre isso, mas eu ainda estou chocado pelo tanto de ceticismo. Eu acho que eu tenho que aceitar que as pessoas pensam que eu estou brisando. Mas eu não sou inteligente o suficiente para inventar o Mr. Brainwash, até a busca mais casual no google prova isso.
Geralmente eu não iria ligar se as pessoas acreditam em mim ou não, mas a força do filme vem de que é 100% verdade. Essa é a linha de frente, isso é assistir uma forma de arte queimar-se sozinha na sua frente. Falado pelas pessoas envolvidas. Em tempo real. Esse é um filme muito real sobre o que eu considero realidade.
Além disso, se o filme fosse uma pegadinha cuidadosamente planejada, você pode ter certeza que eu teria me dado falas melhores. Eu teria meticulosamente planejado minhas espontâneas aparições improvisadas. Eu gostei daquela frase de Jack Benny "Você não diria isso se meus escritores estivessem lá". Mas eu sempre pensei - os escritores falaram pra ele dizer isso?

ATWT: Uma das melhores ou piores experiências de qualquer documentarista é ver seu trabalho com uma platéia pela primeira vez. Você chegou a ver EXIT com platéia? e se sim, como foi a experiência?

BANKSY: Infelizmente eu não o vi com uma platéia. O mais perto que cheguei disso foi ir ao cinema para ver Precious. Eles passaram meu trailer e alguem umas duas cadeiras na frente gritou "Caralho, Banksy é um vendido". e eu me encolhi na minha cadeira.

ATWT: O que você acha que descobriu sobre documentários ao fazer esse filme e há alguma correlação com outros trabalhos artísticos seus? Você era um fã de documentário antes de fazer o filme? e se sim, quais são seus favoritos? algum deles influenciou o que você fez em EXIT?

BANKSY: Eu sou de uma geração que documentário não é um palavrão. Não tem que significar diversas cenas de pinguim com música clássica. Michael Moor e Morgan Spurlock parecem completamente punk para mim. E a coisa mais punk de tudo era que eles trouxeram suas histórias diluidas para o cinema.
Documentarios tem um papel importante em gravar a cultura que não é possível colocar dentro dos livros de história. DOGTOWN AND Z-BOYS foi a biblia da cultura skate. Tendo dito isso, meu filme nunca vai ser o filme oficial de street art. Ou ainda um filme oficial da história da comercialização da arte de rua. Nos percebemos na metade da edição que o final precisava ser o mais não resolvido possível. Eu aprendi da experiência que uma pintura não é finalizada quando você abaixa o pincel - isso é quando começa. A reação do público é o que dá significado e valor. A arte toma vida nos argumentos que você tem sobre isso, se nós fizemos nosso trabalho direito em EXIT, então a melhor parte de todo filme é a conversa no estacionamento depois de assisti-lo.

ATWT: Você acha que há alguns desafios especificos para você e seu time por serem anônimos? Isso facilita ou dificulta o processo?
BANKSY: Decidir com quem trabalhar é um meio termo entre a habilidade das pessoas e a habilidade deles em manter a boca calada, nós tivemos algumas cenas sensiveis de varios artistas em nossas mãos, ainda bem que agora foi tudo queimado.
Minha inabilidade de sair por aí enxendo o saco dos outros talvez machucou o filme em um certo nível, mas em outro nível, Eu sou um bebado volátil e isso provavelmente foi uma grande benção.

ATWT: Os criticos de toronto nomearam recentemente EXIT como a melhor primeira parte de 2010, o que traz a questão se haverá outro filme no futuro, outro documentário? Se sim, você vai seguir um tema ou você vai esperar algo cruzar seu caminho e acionar a ignição para criar um filme sobre isso?
BANKSY: A arte que eu faço é similar ao filme - minhas pinturas são essencialmente frames congelados de filmes que estão passando na minha cabeça. Eu acho que é muito claro que o filme é a forma de arte pre-eminente de nosso tempo. Se Michelangelo ou Leonardo DaVinci fossem vivos hoje, eles estariam fazendo Avatar, não pintando uma capela. Filme é incrivelmente democratico e acessível, é provavelmente a melhor opção se você de fato quer mudar o mundo, não só redecora-lo.

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banksy.co.uk
Ilovegraffiti.de

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art 2010

Ontem colei na abertura da 1ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art 2010, tirei poucas fotos porque estava muito cheio (3000 pessoas), paralelo vai rolar também debates e discussões, veja a programação completa no blog da bienal , sábado vou de novo depois coloco mais fotos.
sem palavras, só trampo responsa... as fotos vão falar por si só... tem o link para o site do artista em cima da foto.

Markone

CES (NY)

Dmote (Australia)

Can2 (Alemanha)


Belin (Espanha)

Vito - A firma

Does


????? (esse gato ao vivo ta fóda!!!)

Cern (NY)

Anjo

Mural externo

Mais fotos no facebook da Qaz Street Art

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Poolice

Personagem Evol, stencil Rhazeck

sexta-feira, 2 de julho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

Paul Alexander Thornton

Correria master na facul, porém eu seria um canalha se não compartilhasse este video também integrante da lista dos meus artistas preferidos...



paulalexanderthornton.com

terça-feira, 18 de maio de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Arte de ......... Rua?





é foda...

domingo, 11 de abril de 2010

Entrevista C215

Esse fim de semana no encontro com o Tinho, estavamos comentando sobre o trabalho do C215, e percebi que ainda não havia publicado nada sobre ele! C215, também é parte da lista dos meus artistas preferidos. Segue abaixo entrevista que C215 ou Chris deu para o site Artasty no começo deste ano. (traduzida por mim)
C215 é um código? porque este nome?
C215 corresponde ao meu nome, Chris, mas também pode ser um número de celular que eu poderia ter gastado muito tempo.

De onde você é? Qual seu passado?
Eu sou originalmente de Paris, eu estudei bastante, com duas graduações em história e em arte, e algumas linguas estrangeiras.. eu trabalhava com importação/exportação na área de decoração. Era um pouco demais para mim e eu decidi largar tudo quando minha filha Nina nasceu e me voltei para minha verdadeira paixão.

Como você definiria seu trabalho e o que inspira você?
Eu faço stencil em todos suportes e as ruas são o que eu prefiro. Meus artistas favoritos são os clássicos e nos modernos Pignon Ernest seria minha base. Depois houveram encontros e choques, Carricondo, Swoon e meu amigo Dan23 que eu me tenho pintado bastante nos últimos 2 anos.

Quais são as ferramentas essenciais que você usa para criar seus pieces?
Tudo que eu encontrar.
Eu não tenho nenhuma ferramenta definitiva, eu gosto de construir meu trabalho dependendo do contexto e isto também se aplica as ferramentas que eu uso.


Você vê uma diferença no modo como a arte de rua é percebida na França e no resto da Europa/Mundo?
Cada lugar, cada cidade e pais tem sua própria concepção. Na França "street-art" tem muito pouco crédito, especialmente pelas galerias contemporâneas, mesmo se um grupo de artistas franceses são alguns dos melhores artistas de rua do mundo. Space Invaders, Zevs, JR, L'Atlas e André, são extremamente proeficientes e criam trabalhos realmente originais. Eles expoem no mundo inteiro. Não é o caso de todos... alguns podem continuar tentando ser original para chegar no mesmo nível.

Como você escolhe suas imagens e aonde elas são colocadas nas ruas?
Minhas imagens são o resultado de encontros com modelos e fotografos. Todas significam alguma coisa, os mendigos, os refugiados, os orfãos. Pessoas quebradas, rejeitadas pela sociedade e o capitalismo. Eu coloquei estas imagens em qualquer lugar, nas ruas e em lugares desvalorizados, pixados e portas enferrujadas, com posters caindo, paredes quebradas ou queimadas e algumas lixeiras que eu particularmente gosto.

Você está em alguma crew, você trabalha com outros artistas?
Eu gerencio uma associação fundada por mais de 200 artistas por 2 anos, com um resultado coletivo satisfatório. Esta começando a virar passado e e agora eu me garanti o direito de algum tempo pessoal, tirando um dos meus parceiros mais próximos DAN23 e B do Awake Studio com quem eu vou repintar uma fábica inteira em Strasburgo em Junho. Vai ser algo interessante, para não ser perdido.

O que está para vim nos próximos meses? Shows etc...
Recentemente estive no Brasil em uma exposição chamada Nina Mon'Amour onde fiz retratos da minha filha na Plastik Gallery em São Paulo. Em Maio eu vou me juntar a uma mostra coletiva em Bristol, o tema vai ser "trabalhadores". Em junho eu vou participar de um festival de Stencil em Warsaw. Também em Junho, outro festival chamado graffiti cosmopolita no norte de Paris (Bagnolet), para promover o excelente livro Stencil History X (www.myspace.com/stencilhistoryx) Finalmente em Outubro eu vou estar em Melborne Austrália para um novo show solo. Janeiro vai ser Los Angeles na Charmichael Gallery.





myspace.com/c215
flickr.com/c215
Artasty.com

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Banksy - exit throught the gift shop

Saiu um trailer com 5 minutos do filme do banksy... espero que venho pro Brasil na Bienal.


Como bonus tbm... vou postar o novo vídeo que saiu "boom and bust"

segunda-feira, 5 de abril de 2010

1º Simpósio de Estética PUC-SP

Pretendo fazer uma comunicação de Graffiti e Arte de Rua (com um toque de pixação pra provocar)

O Departamento de Filosofia e o Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCSP convidam toda a comunidade a participar do I Simpósio de Estética que se realizará na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo de 14 a 16 de Junho de 2010. O evento terá mesas-redondas com professores convidados e mesas de comunicações.

As propostas de comunicações serão aceitas até o dia 30 de Abril de 2010 e deverão ser encaminhadas à coordenadora do evento, Sônia Campaner Miguel Ferrari, por meio do seguinte endereço eletrônico: soniacamp@pucsp.br. Deverão conter: título, nome do autor, instituição, endereço eletrônico do autor e no máximo 300 caracteres.

As inscrições para participantes ( com ou sem apresentação de comunicação) deverão ser feitas através do e-mail posfil@pucsp.br ou telefone: 11 36708417 com Siméia.

sábado, 3 de abril de 2010

Alex Vallauri

Eu queria ter feito este post no dia 27 de março...
No Brasil, oficialmente temos o dia do graffiti, esse dia é 27 de março, dia em que nasce e morre (sim ele morreu no dia do aniversário em 1987) o precursor da arte de rua no Brasil, mais precisamente em São Paulo... O Artista fez sua fama no Brasil através do Stencil, na mesma época (anos 70) em que Blek le Rat fazia massivamente os ratos pelas ruas de Paris, Vallauri massivamente, fazia sua clássica bota de salto alto nas ruas de São Paulo. Feita no anonimato, a bota preta estava por toda a cidade. Para divulgar esta intervenção, enviava cartões postais de edifícios da cidade, que eram xerocados e sobrepostos com o carimbo da bota preta.
Quando foi estudar artes gráficas em Nova York no ano de 1982 e 83, Vallauri fez alguns rolês com Basquiat pelas ruas de Nova Yorque, chegou até a virar cartão postal de Manhatan, porém a obra de Basquiat teve mais destaque por conta de ter um apelo mais comercial, diferente de Vallauri que possui uma forte idêntidade urbana, das ruas mesmo, nessa mesma época ele conheceu Andy Warhol (em exposição na pinacoteca) que lhe introduziu à "corte artística" de Nova York, apesar de toda aproximação que ele tinha das galerias, Vallauri sempre manteve a maioria dos seus trabalhos na rua, o que encarece as poucas obras originais a venda. Sempre com um arquétipo kitsch. Durante a 18ª Bienal Internacional de São Paulo Vallauri fez a instalação "A festa na casa da Rainha do Frango Assado" , amigos da época dizem que a instalação era um espaço legalaize, onde artistas se reuniam e se divertiam entre outras cositas más, conforme vídeo...


www.pauloklein.art.br

Este post foi feito ao som de Bauhaus - Stigmata Martyr

quinta-feira, 25 de março de 2010

Korancan

Não gosto de ficar postando fotos de um artista só, ou com poucas fotos...
Mas esse trabalho novo do Nick Walker em Paris me chamou a atenção. Totalmente coerente com o contexto político, num momento em que o presidente Sarkozy, depois de proibir o uso dos hijabs em escolas, e agora esta querendo proibir a burca.... não que minha opinião pessoal valha alguma coisa, mas eu particularmente, sou contra qualquer proibição..
De qualquer forma o Stencil do Nick Walker no centro de Paris, faz jus a um dos principais objetivos da arte....Propor a reflexão

quarta-feira, 24 de março de 2010

RIP Dare

Eu fico arrepiado quando vejo essas homenagens...


Respect Dare!!


Homenagem feita pela DFE Crew

segunda-feira, 22 de março de 2010

Gaia & Roa

Mta correria na facul... ta osso pra postar...
Pra não ficar em branco, alguns flicks dos trabalhos mais recentes dos meus dois artistas preferidos, Gaia e Roa (respectivamente)







gaiastreetart.com
Flickr.com/gaiastreetart
flickr.com/roagraffiti
flickr.com/groups/roa

segunda-feira, 15 de março de 2010

Entrevista - Blek le Rat (primeira)

Em novembro de 2009, o pioneiro do stencil, Blek leRat, deu uma entrevista para o site Aerosol Planet, eu traduzi e estou colocando aqui, dei uma editada na introdução pq o cara começa falando de Banksy, que eu também sou fã, mas antes do Banksy ver um muro o leRat ja era da old-school ...enfim, desnecessário falar de Banksy na entrevista do leRat.
Estou traduzindo uma outra entrevista dele (leRat), muito boa tbm.
Blek leRat, foi certamente um dos primeiros a fazer stencil nas ruas, se não foi o primeiro, deve ser considerado como. Ele estava nas ruas muito antes das pessoas descobrirem o que é Street Art. Uma figura extremamente carismatica á sua maneira, com exposições caras em galerias vendendo bastante ao redor do mundo. Nós nos encontramos para fazer algumas perguntas, com o pioneiro do stencil, que escolheu seu nome a partir de um personagem de gibi .

Como você teve primeiramente o interesse em fazer trabalhos com estencil?
Em 1982, quando comecei, eu queria ter meu próprio estilo de fazer graffiti, isto era muito importante para mim.

O que era o primeiro stencil que você criou?
Foi um stencil de um rato! Eu costumava pintar umas centenas de ratos nas ruas de Paris no começo dos anos 80.

Você usa o nome, Blek Le Rat, você pode nos contar como este nome surgiu e o que significa?
Vem de um desenho chamado "Blek le Roc" que costumavamos trocar com outras crianças nos anos 60, eu mudei "Le Roc" para Le Rat, porque eu amava pintar ratos e a palavra "rat" você também pode ter "art", eu amava a coincidência entre as duas palavras.

Você sempre morou em Paris, foi lá que você começou a fazer stencil?
Sim, eu nasci em paris e sempre vivi nessa porra.

Quando você começou a fazer stencil em paris, você focou em fazer mais perto da onde ja tinha graffiti ou você tinha seus próprios lugares?
Você sabe.. quando eu comecei em 1981 ninguem estava fazendo graffiti na cidade de Paris, exceto um cara chamado Gerard Zlotykamien que é um grande artista francês. Se você conhecer qualquer pessoa que lhe diga que fazia graffiti em Paris nos anos 70 ele é um mentiroso. Antes eu tinha todo o espaço de paris para fazer ratos. Eu comecei a ver graffiti, tipo piece mesmo, tipo em junho de 1983 de um cara chamado "Bando" que começou a fazer tag e pintar pieces gigantes nas paredes da cidade.

Como você decide aonde é um bom lougar para colcar um stencil?
Depende de um monte de coisas diferentes. O Lugar, o ambiente aonde eu coloco meus stencils é muito importante para mim, é uma das coisas que faz a arte de rua tão forte e mágica, comparada a outras expressões pecadoras de arte. A imagem toma outra dimensão quando é na rua... então é totalmente mágico.

Você conhecia muitos dos primeiros grafiteiros franceses e eles sabiam do seu trabalho e o que eles achavam?
Um sabia do trampo do outro, mas nós não nos conheciamos, embora estivessemos fazendo o mesmo "trabalho" eu costumava dizer assim: "Grafiteiros, nós estamos indo comer nos mesmos restaurantes, mas não comemos a mesma comida".

Tinha alguma competição em Paris, com seus stencils?
Não nos anos 80, porque tinhamos muito espaço para trabalhar, começou a ficar mais complicado quando a segunda leva de grafiteiros chegou nos anos 90. Eles eram bem ofensivos e não deixavam nenhum centimetro livre nas ruas de Paris. A cidade estava sobrecarregada de tags e pieces.

Você foi a primeira pessoa em paris a fazer trabalhos com stencil?
Absolutamente SIM! eu digo isso, alto e claro!! Muitas pessoas gostariam de ter sido o primeiro, mas eu sei exatamento como tudo aconteceu, porque eu vivi e ninguem pode reescrever a história. Durante o verão de 1983 um cara chamado Jerome Mesnager começou a pintar tipo uma sombra de um homem com com um pincel e tinta. Ele não usava stencil para fazer seu homem branco. Eu devo dizer que eu realmente gostava daqueles homem brancos pintados nas paredes de Paris, era muito bom. Depois daquilo, durante o verão de 1983 eu tive a grande surpresa de descobrir dois outros caras que começaram a fazer stencils nas ruas de Paris. Estes dois caras chamados "Marie Rouffet" e um outro cara que assinava TNT e denovo estes dois caras aparecerem nas paredes de Paris no verão de 1983, e é isso. O grande movimento com outras pessoas que faziam Stencil começou no inverno de 1984 com Jef Aerosol e Miss Tic e muitos outros artistas.


Você viu algum outro trabalho de stencil acontecendo em outros paises?
No começo dos anos 60, eu fiz uma viagem com meus pais para a italia e vi alguns stencils feito por fascistas que era um vestigio da segunda guerra mundial. Era um retrato de Mussolini vestindo um capacete,esta foi a razão que eu tive a idéia de fazer stencial, foi porque eu vi estes stencils nas ruas de Padova quando eu era criança.

Você ja montou alguma crew com outros artistas que fazem stencil ou era só você mesmo?
Eu pintei por alguns meses em 1981 nas ruas com um amigo meu chamado Gerard Dumas. Nós eramos bons amigos, mas ele parou depois de alguns meses, porque sua esposa tinha um filho e não queria mais ele saindo pra pintar nas ruas...

Você ja rodou fazendo stencil em Paris?
Muitas muitas vezes! Nos anos 80, a policia não ligava pra arte de rua e eles nem sabiam o que era arte de rua, eles costumavam me perguntar "é político" e eu respondia "Não! Não é!" e eles iam embora. Eu levei um flagrante em 1990 da polícia de paris. Eu fui condenado a pagar uma fiança e tive uma enxeção de saco por muito tempo...

Você acha que o publico geral gosta de ver seu serviço nas ruas e tal?
Você deve perguntar as pessoas, eu não posso responder por eles.

Você tem um lugar favorito para Stencil em Paris?
Não, eu não tenho nenhum lugar favorito em Paris, eu nem gosto mais de Paris...

O que os grafiteiros pensam dos seus stencils?
Nós nos respeitamos, eu respeito o trampo deles e eles fazem o mesmo comigo.

Você colocou seus stencils no mundo todo, eu tenho fotografado muitos em Londres. Aonde é sua cidade favorita para fazer stencil?
Nova Iorque, porque tudo começou lá, é tipo a mecca do graffiti não é?

Você escolheu fazer stencil de ratos, assim como o inglês Banksy você diria que ele te copiou de algum modo?
Eu amo e respeito muitos dos trabalhos do Banksy, porque ele trouxe algo muito forte para o desenvolvimento desta arte. Muitos dos outros artistas que faz stencil tentaram copiar os meus ou os do banksy. Eu não diria que o Banksy me copiou, eu diria que ele foi "influenciado" o que é totalmente diferente.

O que você acha do trabalho do Banksy? Você ja pintou junto com ele?
Eu nunca pintei com ele, mas adoraria.

Quantos stencils por dia você colocava nos seus primeiros dias em Paris?
Algo em torno de 10 ou 30. Dependia de como estava o clima, se eu estava sozinho ou se alguem estava me ajudando. Meu recorde foi mil pequenos lambe lambe colados em um dia em 1988 e fui ajudado pela minha esposa Sybille e meu filho Alex (ele tinha 5 anos naquela época)

É engraçado, eu recebi uma cópia de seu novo livro, "Getting Through the Walls" (Atravessando as paredes), por Thames e Hudson, e eu vi uma foto de seus stencils no lado de fora do Louvre, onde costumavam ficar todos graffitis, eu me lembro de ver aqueles tapumes em uma das minhas primeiras viagens à Paris. O que você achava do Graffiti daquela época, tipo do Mode2 e do Bando?
Eu fiquei muito impressionado com Bando e Mode2, eu nunca conheci o Bando, mas eu conheci Mode2 na alemanha uns anos atras. Bando era inacreditavel! Eu acho que ele foi o primeiro a colocar seu tag "Z" em todo lugar de Paris, mesmo se você fosse para a quebrada mais pesada da frança, ali atrás da igreja você podia achar um tag do Bando. eu realmente não sei como ele fez isso, foi realmente incrivel.

Eu recentemente te conheci em Londres, na premier do filme Bomb it, o que você achou do filme?
Eu amo o cineasta Jon Reiss que agora é um grande amigo meu. Nos compartilhamos muitos momentos foda durante a filmagem do filme, mas infelizmente, varios momentos foram cortados durante a edição. eu acho que o filme é um bom reflexo do que é o movimento artistico graffiti no começo do século 21 ao redor do mundo. É um grande filme.

Você apareceu com umas ideias de stencil diferente, você pode nos dizer como o stencil da ovelha surgiu?
Ratos e ovelhas estão vivendo nas cidades, ratos são os rebeldes e ovelhas são a maioria das pessoas.

Você ainda esta ativo em Paris, tem muitos stencils por lá?
Eu não estou muito ativo em Paris (eu não gosto mais da cidade). Eu fiz colagens somente três noites este ano e era para um documentario para a TV Alemã e Francesa (Arte). E eu notei que quando eu deixo alguma colagem na Rua, logo no dia seguinte a colagem ja foi tirada pela cidade ou por alguns colecionadores que tentaram revender em Leilão ou em galerias. É um grande problema agora, então eu escolhi fazer colagens ou graffiti aonde ninguem pode remover ou revender. Em julho passado, eu fiz uns graffiti em Belgrado, na Servia. Eu tenho certeza que em belgrado ninguem vai remover ou tentar revender.

Eu notei que seu trabalho agora tem estado bastante em galerias, seu trabalho esta vendendo bastante atualmente?
Apesar da crise, eu estou realmente surpreso em vender meu trabalho por um bom preço, eu devo dizer que meus trabalhos não são tão caros comparados aos preços do Banksy, talvez esta seja uma grande razão.

Quando você ouve sobre exposição de graffiti, tipo a da BBC Cru em Paris, normalmente você vai a eventos deste tipo?
Eu nunca vou à exibições de graffiti, embora eu goste dos caras da BBS Crew que são meus amigos.

Meu stencil favorito é "The Man who Walks Through Wall" (TMWWTW - o homem que anda através das paredes), você pode nos dizer mais sobre ele?
A Primeira vez que eu coloquei este stencil foi em Londres em 2003. Naquela época, eu morava no apartamento do pure evil em Shoreditch e deixei alguns posters, eu queria dizer pro Banksy que o cara francesinho estava chegando na cidade para dizer "Alo" para ele, quando eu voltei pra casa e eu vi fotos do TMWWTW em Londres, eu me surpreendi pela minha propria imagem e eu percebi que aquela imagem poderia ter uma outra dimensão dependendo do lugar que ela é colocada, eu também A Primeira vez que eu coloquei este stencil foi em Londres em 2003. Naquela época, eu morava no apartamento do pure evil em Shoreditch e deixei alguns posters, eu queria dizer pro Banksy que o cara francesinho adoro a história de "Alice no Pais das Maravilhas" que pode atravessar o espelho e ir para lugares diferentes, TMWWTW é um conceito de alice e ele é na verdade um porta retrato, é um viajante que atravessa o mundo com seus stencils na mochila para levar sua arte pra todo lugar, eu gosto muito desta idéia.

Se você pudesse colocar um stencil em qualquer lugar do mundo e sair livre, qual seria seu principal spot?
Palácio de Buckingham, a casa branca, o monte Eliseu, Downing Street... em todos lugares que eu gostasse em todo mundo, somente para dizer para as pessoas que estão no comando que o graffiti é uma bela arte, e eu ficaria realmente famoso!!! Esta é uma boa idéia para um novo artista do stencil que queira ficar famoso em pouco tempo, mas cuidado, também pode ser um campo minado.


Este post foi feito ao som de TRANSDUTOR - Bichos Escrotos (remix)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Dare Ultimo Piece



Caramba fiquei emocionado...
O grafiteiro Sweet, finalizou o projeto da molotow "Sweet goes Red", fazendo um piece em homenagem ao finado Dare... o projeto da molotow era propôr à Sweet que ele pintasse todo dia um piece diferente, sendo somente vermelho, o projeto começou no dia 1º de dezembro de 2009 e terminou ontem 10 de março.

Subway Net Magazine

Esta pra sair a edição especial de 10 anos da Subwaynet.
SÓ TREM E METRÔ!
O site esta muito bem trabalhado, vale a pena conferir!
www.subwaynet.org

quarta-feira, 10 de março de 2010

Entrevista com Banksy em 2000

Estou traduzindo uma entrevista que o Banksy deu para a BBC em 2000, um pouco antes de sua primeira exposição em Severnhead.


Espero postar ainda esta semana.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Recriação da Capela Sistina

Este post não é muito urbano, porém mesmo sendo indoor eu vou postar, é um pouco antigo e não deve ser novidade, a recriação da Capela Sistina de Michelangelo através somente de Spray, pelo artista Paco Rosic, proveniente da Bósnia, passou sua infância na alemanha e foi para os estados unidos em 1992, desde pequeno sempre teve o sonho de reproduzir a capela sistina, o a produção foi incluído nos planos da família em abrir um restaurante a princípio, porém conforme o projeto foi se desenvolvendo foram aparecendo outras oportunidades resultando em um restaurante/bar e galeria. A abertura do espaço em dezembro de 2006, além de valorizar a área de waterloo em Iowa (Estados Unidos), trazendo atenção internacional para o local, também rendeu novos horizontes para o artista, que teve que fechar o segundo andar e abrir um estúdio para poder suprir o número de encomendas que passou a ter devido a notoriedade de seu projeto.
Em escala de redução de 1/2 em relação ao origiaal, 235m² de área e 4 metros de altura, o espaço teve de ser adaptado e foi necessário modificar o teto para fazer o formato côncavo semelhante ao da capela sistina, a reprodução não é exatamente igual, devido a redução não é possível notar as nuances nos olhos e nas bochechas dos personagens, em contrapartida o uso somente de spray (mais de 2.000 latas)ao invés da tinta e pincel tradicional faz com que as cores sejam mais vivas do que na obra original. Para fazer o projeto o artista viajou para o Vaticano, para ver de perto a capela, fez alguns esboços e memorizou a obra original, conforme ele mesmo diz: "você sabe como as pessoas leêm livros? Assim eu leio arte, eu li o teto da capela sistina, porque precisava ver aonde ele começou e aonde ele terminou, ele estava contando uma história."








www.pacorosic.com- O artista
www.paco-rosic.com - O Local
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Este post foi feito ao som de Thiago Petit e Tiê - Essa canção francesa